Encontrar amigos em Nova Zelândia

parece fanfic mas eu juro que aconteceu

2020.08.30 02:32 querocafune parece fanfic mas eu juro que aconteceu

vou contar o filme que minha vida virou...
Pro contexto: eu acabei de voltar de um intercâmbio de 8meses em Wellington, na Nova Zelândia
Então, conheci esse menino na minha escola, numa aula feita pra que pessoas do mesmo ano escolar se relacionem, era uma aula de meia hora que acontecia duas vezes por semana, então não tínhamos muito contato, mas sempre sentava com ele e os amigos dele nesse tempo. Como eu era estudante internacional, não tinha muitas amizades além dos brasileiros que estavam na mesma situação que eu, então eu achava um máximo ter esse grupinho pra conversar. Enfim, entramos em lockdown em março, e as aulas online começaram, e essa aula parou de acontecer. Eu tentava fazer amizade com pessoas de outras aulas por mensagem, mas ninguém continuava a conversa... até que depois de algumas semanas eu e esse menino, começamos a conversar pelo instagram, conversávamos a cada 2 dias, mais ou menos, sobre coisas bem aleatórias, mas era alguém com quem conversar. E eu sempre fui muito devagar pra relacionamentos românticos né, mas resolvi investir nele e ver no que dava. Eu tentava flertar, mas além da falta de experiência tinha o fator idioma, flertar em inglês é uma coisa assim... complicada kkkk
Passamos 2 meses de quarentena e as coisas começaram a reabrir, obrigado Nova Zelândia!! E acabei chamando ele pra sairmos quando pudéssemos. Fomos tomar um café, e como sou do Brasil tive que honrar o estereótipo e chegar 1hora depois do combinado, me culpei muito por isso, mas no final das contas passamos um tempo bem legal juntos, mas não rolou nada. Mais ou menos uma semana depois sugeri que saíssemos de novo, e acabamos indo pro “cable car”, basicamente um carrinho que sobe um morro, mas que é um dos lugares turísticos da cidade, junto com o jardim botânico que fica no topo desse morro. Eu, na inocência, me arrumei pra encontrar ele, quando chego lá ele tinha levado uma garrafinha de água, preparado pra dar uma caminhada kkkk andamos igual notícia ruim, e eu sempre fingindo costume e não mostrando que eu estava a beira do desmaio... Obviamente, não conseguimos conversar muito, mas cada experiência é uma experiência. No final, quando já não tinha mais subidas ou descidas de morro tentei jogar um charme, um elogio, mas ele não captou minhas mensagens, um tempo depois ele disse que tinha dever de casa e foi embora na vespa dele kkkkk
Continuei persistente, porque apesar de tudo eu gostava das nossas conversas e de passar tempo com ele, e mesmo que não desse certo, seria uma amizade de um outro país, eu não tinha o que perder.
Foi aí que fomos nesse museu, “te papa”, que tem exposições interativas e é super interessante, mas eu já tinha ido lá no mínimo umas 3 vezes, então eu estava com bastante foco no objetivo kkkkk eu nunca encontrava a hora certa pra dar o primeiro passo, e ficou nisso durante o dia inteiro. Até que quando estávamos indo embora, dessa vez ele não estava dirigindo a motinha dele então pegamos o mesmo ônibus pra casa, o ponto dele era antes do meu e quando ele desceu eu não aguentei, e senti que deveria fazer alguma coisa. É aí que a produção entra em cena, eu levantei e pedi pro motorista parar o ônibus, falei que eu tinha que fazer uma coisa rapidinha e eu já voltava, aí eu desci do ônibus e corri atrás dele, ele achou que estava sendo assaltado, mas eu fui e falei pra ele que eu senti que perdi muitas oportunidades de fazer isso durante o dia mas que eu tinha que fazer isso, aí perguntei se eu podia beijar ele, ele disse que sim!!! Voltei pro ônibus e a cara do motorista foi muito boa, ele viu tudo pelo retrovisor kkkkk DETALHE, tava chovendo.
Depois conversamos por mensagem, e eu falei que não sei de onde eu tinha arranjado coragem pra fazer aquilo, mas que eu estava muito fez de ter feito.
Na segunda-feira, combinamos de encontrar depois da aula, acabamos indo pra casa dele e conheci a mãe dele kkkk fiquei meio sem reação, não sabia o que fazer, foi super bizarro, mas de novo, cada experiência é uma experiência né? A mãe dele saiu e ele tentou me beijar, mas eu travei tanto que não consegui, ele coitado ficou super confuso, e eu comecei a tagarelar sobre timidez, insegurança, umas coisas nada a ver, tentando me justificar... Ele só ficou mais confuso, resolvemos então dar uma volta e fomos comprar pão, fomos num parquinho e comemos lá... Conversarmos e tava tudo muito bom, mesmo eu tendo tornado tudo muito constrangedor. Cada um foi pra casa e ficou aquele clima estranho, mesmo ambos querendo a mesma coisa.
Mais tarde mandei mensagem pra ele falando sobre minha mania de auto-sabotagem, e que tudo tava sendo tão bom que alguma coisa em mim me dizia que tava errado, então eu estraguei tudo. Ele não entendeu direito, então só falei pra que a gente ignorasse tudo o que eu falei e continuar do jeito que tava antes kkkkk
Dia vai, dia vem e esse amigo dele deu uma festa, um dia antes de uma viagem que eu iria fazer, mas eu fui mesmo assim. Fui com uma galera da minha outra aula, e já tava me sentindo mais confortável, até que eu chego na festa... Uma coisa bem maluca kkkk tinha uma fogueira com sofás em volta, uma garagem com colchões e bebidas, uma caixa de som, e gente usando vape. Até aí tudo bem, encontrei ele e as coisas tavam indo na paz, tirando a parte em que tive que ensinar ele como eu beijava de língua, que foi um pouco constrangedor mas que no final deu tudo certo, a gente se encaixou e ficamos agarradinhos perto da fogueira, porque tava muito frio! Até que um doido resolve tirar o próprio sapato, colocar vodca pura dentro e beber... pois é, como reagir? Ok, algumas horas se passam e esse menino do sapato, surpreendentemente, começa a passar muito mal, então deitam ele em um dos colchões e eu falando pra darem água pra ele... Não sei o que rolou, voltei pra perto da fogueira, não ia dar uma de baba pra alguém que eu nem conheço. Até que um carro entra onde a gente tava, eram os pais do menino do sapato, tiveram que buscar ele porque ele só tava piorando...
Por causa da confusão dos pais, uma das vizinhas chegou lá pra ver o que tava acontecendo, então o menino que eu tava beijando, já um pouco alterado levanta e fala que a gente tem que sair dali pra que não me deportassem kkkk eu fui com ele, entramos num lugar muito escuro e eu comecei a ficar com medo, porque por mais que eu goste dele eu não queria morrer. Fomos parar numa estação de trem e ficamos rondando por lá por um tempo, sem saber o que tava acontecendo na festa, mais tarde a gente voltou pra lá e tinham guardado tudo, os sofás, a música, apagado a fogueira, e estavam falando que tinha baixado polícia lá... Não vi nada. Tava todo mundo indo embora, e achei melhor eu também ir, mas minha carona tinha vazado, fiquei sem saber o que fazer, então tive que ligar pra minha hostmom pra ela vir me buscar, achei que ia levar esporro, mas ela achou até bom eu ter feito isso kkkk
No dia seguinte eu fui pra minha viagem, e foi muito boa, conheci gente nova e fiz coisas que nem acreditava que faria, inclusive pular de avião e de bungee jump! - mas agora, a história é sobre meu romance clichê
Quando eu voltei marcamos de encontrar várias vezes, e tudo tava sendo lindo e cor de rosa... conheci a família dele, até a vó kkk e ele a minha hostfamily. Eu tava nas nuvens.
Porém, com toda essa complicação do covid, minha data de volta tava sempre mudando. Até que confirmaram meu voo pro dia 29 de agosto, ok, me planejei organizei o que eu iria fazer. Só que uma semana antes me ligam avisando que mudaram a data mais uma vez, só que dessa vez pra 4 dias mais cedo! Eu entrei em pânico, por mais que 4 dias parece pouco, mas é muita coisa... Tive que remanejar tudo, remarcar as despedidas e tudo mais. eu tava muito emocional, chorava por tudo.
Até que um dia nessa última semana, eu tinha acabado de jantar e estava brincando com as crianças da minha casa, ele me liga e pede pra que eu fosse lá fora, fiquei super confusa, mas eu fui. DETALHE, tava chovendo também... Eu perguntei o que ele tava fazendo ali e ele disse que tava fazendo uma corrida noturna e que eu não poderia ir embora sem que ele falasse isso, foi aí que ele disse que me ama... Eu fiquei em choque, não tava caindo a ficha de que isso tava acontecendo, eu perguntei se ele queria entrar, tomar uma xícara de chá, sei lá... Ele me disse pra pensar sobre isso e que tinha que ir embora, então ele saiu correndo. Eu voltei pra dentro e não conseguir pegar no sono. depois, mandei mensagem pra ele falando que eu não esperava por isso e perguntei se ele tinha certeza do que ele tinha falado, conversamos bastante mas eu ainda não conseguia engolir, mesmo com ele sendo incrivelmente perfeito em tudo que ele falou pra mim. Na manhã seguinte tive minha sessão de terapia semanal, ouvi umas poucas e boas de como eu negava o amor dos outros, de como eu achava que por eu não me amar ninguém seria capaz de fazer isso... E cada palavra valeu a pena, quando acabou disse pra ele que queria ver ele, e de noite fomos pra cidade, e com toda certeza foi uma das melhores escolhas da minha vida. Jantamos pizza e caminhamos por todo lugar, e quando tava chegando a hora dele ir embora não deu, e comecei a chorar, me abri pra ele e disse que também amava ele, e ficou assim, os dois boiolas chorando num ponto de ônibus, olhando um pra cara do outro. Mas por mais triste que eu tava, me senti muito bem de estar vivendo aquilo. Levantamos e continuamos a andar pela cidade, dando sempre uns intervalos pruns beijinhos...
Então ele teve que ir embora, e quando ele deu partida na motinha dele eu gritei pra todo mundo ouvir que eu amo ele! Comecei a chorar de novo, muito muito mesmo, não só por ele, mas por tudo que eu vivenciei naquele país, vida, morte, conexão, solidão, despedida, saudade, amizade, amor, tudo que faz a vida valer a pena e como muitas vezes já pensei que nada disso valia a pena. Esses 8 meses me ensinaram o que é estar vivo, e sou muito grata por ter aprendido isso!! nessa minha profunda reflexão, meu ônibus chegou, e era um ônibus de dois andares, eu que não vou boba nem nada fui pra frente da parte de cima, chorar ainda mais e fazer esse filme ainda mais clichê...
Até que enfim, chega meu dia de voltar pro Brasil, ele foi no aeroporto se despedir, e eu não passei um segundo sequer sem chorar, desde Wellington até BH, quase 3 dias de viagem e de muitas lágrimas...
A gente tem conversado todos os dias desde que cheguei, e sinto muita falta dele, mas ainda fico com receio de expressar tudo isso e ficar ainda mais triste com a situação, não sei como começar a conversa sobre o que vai acontecer entre a gente, se estamos em um relacionamento a distância ou continuarmos nos amando só que em forma de amizade, se ele toparia um relacionamento aberto, ou sobre o que ele planeja pra nós... Tenho medo de conversar com ele sobre tudo isso e estragar o que a gente tá tendo agora, porque por mais que exista a distância ainda sei que ele está lá pra mim do mesmo jeito que estou aqui pra ele...
E é isso, só queria abrir minha história a debate mesmo. Valeu aí...
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2020.07.02 21:21 porfora Me sinto um refugiado/exilado

Tenho 30 anos, eu e minha esposa nos casamos e fomos para a Itália tirar a cidadania e então o plano era ir para a Nova Zelândia. O plano foi por água abaixo porque as passagens estavam muito caras mesmo, decidimos ir para a Holanda, as coisas deram errado por lá e viemos para Londres. Em 2 semanas em Londres já tínhamos empregos e nosso apartamento alugado, as coisas acontecem rápido de verdade em Londres. O tempo foi passando e fui percebendo que como o trabalho é posto aqui não é da melhor maneira possível - explico - tem trabalho, pagam perto do mínimo (o que da para se sustentar tranquilo por aqui), mas te exploram o máximo que podem com quase nenhum direito trabalhista, até onde eu sei.... Aqui rola o clássico: negocia com o patrão, e todo mundo sabe que com patrão não se negocia nada. Comecei lavando pratos, passei a fritar batata frita e saí do emprego porque estavam me pagando errado no fim do mês por dois meses seguidos, falando que arrumariam no próximo. Meu segundo emprego foi no restaurante de um hotel 5 estrelas, meu trabalho era levar os pratos da cozinha até o garçom. Simples. E ainda assim, de alguma forma, alguem fazia com que eu me sentisse burro todos os dias, sem exceção. Meu ultimo emprego no Brasil foi dando suporte à crianças com autismo, eu estava cursando psicologia e decidi trabalhar com isso aqui para resolver pelo menos a insatisfação com o trabalho. Saí do hotel que dinheiro nunca era problema no final do mês, para receber o mínimo e tentar ser feliz. Spoiler: não fui. Todo mundo acha que aqui é primeiro mundo e absolutamente tudo é melhor do que no Brasil... Essa casa que estou trabalhando chega a me dar calafrios quando vejo como os 5 usuários são tratados. Eles estão seguros? Sim. Estão confortáveis? Sim. Alimentados? Sim. O problema está em como são tratados, muito grito, nenhuma técnica, nenhum protocolo e nenhuma vontade de ajudar eles a melhorarem suas habilidades que possa levar a uma maior independência. O pior de tudo é que as vezes que eu tentei começar alguma coisa, recebi uns olhares meio tortos, ouvi para deixar isso para lá, até que em certo momento o gerente disse que não tem nenhum "superstar" aqui. Desde então venho para cá para cumprir minhas horas que serão pagas no final do mês, virei parte da engrenagem.
Não temos amigos aqui. Temos um casal de amigos, bem diferente dos amigos que temos no Brasil. Adoramos eles, mas eles são mais chegados.em outros amigos os quais não nos damos lá muito bem, não por falta de tentar.... Não é que são más pessoas e que não podemos almoçar juntos num domingo, mas.não há conversa decente, a cabeça é muito diferente... Eu não consigo explicar, mas não é só por ser brasileiro que consigo considerar como amigo. Aqui em Londres ainda rola uma desconfiança de tudo e todos, tem muita gente pela grana....
Se fazer amizade com brasileiros não é fácil, com estrangeiros é ainda pior... Ninguém nem da abertura para ninguém.
Com a pandemia, minha esposa está trabalhando como babá para uma familia, ela ganha pouquinho porque trabalha apenas 3 horas por dia... Então o dinheiro está começando a ser uma questão de preocupação para a gente. Pagamos nossas contas e ponto.
Sendo assim, não conseguimos viajar nem sair para nos divertir.... Minha esposa não consegue pagar um curso que ela gostaria de fazer para estar melhor colocada no mercado de trabalho. Já eu, não consigo pensar em nada porque da porta da minha casa para fora, eu não gosto. Para entrar numa universidade, primeiro teria que ter dinheiro, depois melhorar meu inglês (principalmente o escrito) e depois negociar comigo mesmo morar mais 4 ou 5 anos aqui.... O que me dá palpitação.
Para ajudar, meu avô faleceu há uns 2 meses e isso mexeu comigo porque estou pensando que pela ordem natural da vida, isso acontecerá com meus pais ainda.... Não tão cedo eu espero, mas tenho que encarar que isso pode acontecer.... E quanto mais tempo fora, mais raízes para cortar aqui e poder estar com eles.
Sinto muita saudades da minha familia inteira, isso inclui minha grande família e a grande família da minha esposa.... Crescemos com encontros de família e de repente, não mais.... Vacilei achando que não sentiria tanta falta ou que me acostumaria. Sinto falta do meu cachorro, a ponto de dependendo do dia chorar de ver ele no vídeo.... Porque ele é o único que não entende o porque eu sumi e não voltei. Quanta culpa.
Do fundo do meu estômago eu quero voltar para o Brasil, minha esposa não.... Ela tem o pensamento mais lógico como sei que muita gente aqui vai ter. E como já ouvi de muitos amigos.
"O Brasil nao tá facil, fica aí" "Se aí ta ruim, imagina aqui?!"
E por ai vai.... Eu respeito e entendo, por isso que me sinto como refugiado ou exilado, eu amo tudo o que eu tenho no meu país, mas não consigo voltar porque de fato para recomeçar uma vida aí nao é o momento mais adequado.
A pergunta que me tira o sono ê "Quanto tempo esperar?"
Entendo que a decisão de sair do país foi nossa e que eu deveria ter pensado em tudo isso.... Eu pensei, só nunca tinha sentido o coração doer sentindo falta das coisas que o dinheiro não pode comprar.
Todo dia acordo pensando em quando vou conseguir voltar para o meu país e me virar. Mas esse é o tipo de conversa que não posso ter com absolutamente ninguém. Meus país me falam para voltar e qualquer outra pessoa fala que não deveríamos voltar...
Suicídio já foi considerado, porém desconsiderado devido aos custos de mandar meu corpo de volta, como minha esposa ficaria de me encontrar e depois como todos ficariam se sentindo. Ja me basta ser um estorvo em vida, não quero causar problemas depois de morto.
Desculpem se alguma coisa parecer confusa, sigo para esclarecimentos. Desabafei? Sim, mas nao.me sinto nem 1g mais leve
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2019.03.09 21:13 an0nimo2019 Emigrar à maluca.

Pessoal,
Ando a pensar em emigrar há algum tempo, mas acabo sempre por esbarrar num problema (e que problema!): não tenho ninguém lá fora a quem possa recorrer uns tempos até me orientar. Não tenho amigos; família; conhecidos. Ninguém.
Licenciei-me há dez anos; nunca trabalhei na minha área e há muito que desisti de pensar em encontrar seja o que for na minha área de formação. Sabia perfeitamente que era difícil conseguir algo com o curso que tinha, mas não temos todos que querer ser a mesma coisa. Assumo o «erro» das minhas escolhas académicas, mas tenho o direito de querer algo melhor para a minha vida. Infelizmente, Portugal não me dá o que quero: um salário que permita viver.
Saí da faculdade no início da «crise»: 2007 / 2008. O Net Empregos (maior site de ofertas de emprego do país?), naquela altura, chegou a ter apenas duas a três ofertas de trabalho para a cidade de Lisboa. Foi ridículo. Quem procurou trabalho ou esteve desempregado naquele período, deve-se lembrar bem do horrível que aquilo foi. Havia pessoas, todos os dias, a vir do Porto para Lisboa à procura de trabalho, fosse no que fosse... Mas enfim, lá me fiz à vida. Desde então que passo o tempo a saltar de trabalho em trabalho, sempre por agências emprego temporário; sempre em trabalhos físicos: fábricas ou armazéns. Já fiz grande parte do que há para fazer na área logística e confesso: já não suporto mais trabalhar no meio. Sempre que fico desempregado tento procurar algo numa outra área: administrativa, back office, algo. Uma altura entreguei Cvs em todos hotéis de Lisboa. E nada. Nunca há uma oportunidade. A conversa é sempre a mesma e já a conhecemos todos bem. Até eu já a conheço, pois tive de levar com ela quando terminei a licenciatura e procurava trabalho: «Sem experiência é difícil». Pois, mas se ninguém dá uma oportunidade, é difícil ter experiência. E depois já começamos a levar com a da idade: «Com 35 anos já é complicado, sabe». O que me faz perguntar o que vai ser da minha vida quando tiver 45.
Fartei-me de trabalhar em todos sítios onde tive. Fartei-me de fazer horas extra em todos lados onde trabalhei: muitas não pagas; outras mal pagas; e outras pagas mais ou menos. Nunca tive férias em nenhum sítio por onde trabalhei desde 2007. Normalmente, as minhas «férias» são quando estou desempregado e, garanto-vos, não são propriamente «férias». Uma pessoa mata-se a trabalhar; esforça-se por ser um exemplo de profissional; e nunca dão valor a nada. Só sabem exigir; exigir; exigir. A certa altura uma pessoa farta-se e não está mais para aturar meia dúzia de merdas. A frustração que tenho é muita e cada vez mais. Não quero viver assim. Eu era um chavalo alegre; o animador do grupo; mas desde que saí da faculdade (deixei o mestrado a meio), tornei-me taciturno; recluso; e cada vez mais frustrado com a minha vida seja em que plano for. A minha angústia perceber que nunca vou sair desta ladainha do salário miserável que não dá para nada; o ter de ser «estúpido» quando se tem habilitações; inteligência; e capacidade para muito mais, mas não se consegue ir a lado algum. Não aguento mais isto.
Para complicar, ando há mais de quatro anos a viver em casa de familiares. Qualquer pessoa que já tenha vivido na casa de alguém algum tempo, sabe perfeitamente que os primeiros quinze dias tem piada, mas depois deixa de o ter. Passamos a ser um incómodo para os outros. Eu sinto-me mal por ter a idade que tenho e viver na casa dos outros. E os outros sentem-se mal me ter na casa deles. Uma pessoa tem de levar com algumas bocas; engolir alguns sapos; mas já não aguento mais isto. Alugar uma casa está fora de questão, pois as rendas são demasiado altas para os rendimentos que tenho. Um dia tem-se uma dor de barriga e tem de se escolher: pagar a renda da casa ou tratar da dor de barriga. Viver num quarto sempre esteve fora de questão, pois para viver num quarto, preferia emigrar. Praticamente não tenho família. E a que tenho é bastante tóxica e não quero relações com a mesma. Até a com quem vivo é. Mas sou mesmo obrigado a viver com essa, caso contrário era viver na penúria.
Sempre vivi nos subúrbios de Lisboa (10/15m da Expo), mas nunca gostei de Lisboa como cidade e de viver nos subúrbios. Quanto mais velho, menos gosto. Detesto ter de ver sempre as mesmas pessoas; algumas que conheço da minha zona; e ter de me «comparar» com elas. Ver o impacto das nossas escolhas na vida. Preciso de uma mudança de realidade. Preciso de me afastar da toxicidade da minha família e viver anónimo. Começar do zero. Só vejo duas opções: a) Migrar internamente no nosso país. Mudar de região. Sair de Lisboa e ir para outro lado qualquer do país; ou b) Emigrar. Entre uma e outra, preferia emigrar. E isso é o que me traz aqui.
Não tenho ninguém lá fora, só me resta uma solução emigrar «à maluca». Há muito tempo que penso nisso. Há uns dois anos «mergulhei» nos procedimentos de como ficar legal no UK e pensei em ir para Londres. Uma pessoa vai adiando, adiando, por ter medo; não ter ninguém; etc. e vê a vida a passar. Não posso perder mais tempo.
A minha ideia é ir (seja para onde for), e começar nos trabalhos que ninguém quer ou até mesmo fazer o que tenho feito em Portugal. Arranjar dinheiro e tentar voltar a estudar no estrangeiro (país para onde for) e tentar dar a volta à minha vida. Em termos de línguas, domino completamente o inglês: escrito e falado. O meu francês precisa de ser trabalhado, pois está há demasiados anos parado, mas se quiser, consigo dar a volta.
Como domino o inglês, a Irlanda seria o país perfeito (usa o euro e não tem grandes problemas com Brexit). O UK era uma alternativa, mas com o Brexit… Aquilo que gostava mesmo era o Canadá ou a Nova Zelândia, mas as leis de imigração são complicadas.
Há uns anos atrás havia uma agência de emprego em Lisboa que metia pessoal em fábricas na Irlanda, mas encerrou. No Net Empregos costuma aparecer anúncios a pedir para a Holanda, telefonei para o número de Lisboa e vi logo pela conversa que era esquema, pois não queriam dar grandes pormenores e queriam saber o dia e hora que eu queria ir lá; sempre incomodados com as minhas questões. Tudo a parecer combinado. Meti-me a pesquisar e dei com relatos de esquemas iguais em Espanha e N jovens ludibriados.
Pá, não sei o que dizer… Vocês têm mais experiência que eu. Peço algum feedback. Sou um português sem esperança no nosso país ou na vida em Portugal. Tenho de orientar a minha vida este ano. Der por onde der até ao final do Verão vou ter de dar o salto. Eu este ano deixo o nosso país. Emigrar não é fácil, fazê-lo em contactos; pontes; casa; pior ainda. Mas se os sírios atravessam meia Europa e conseguem, eu também vou ser capaz. Não tenho medo de trabalhar; nunca tive; claro, não quero passar miséria e viver na rua. Mas tenho de dar a volta à minha vida. Tenho algum dinheiro de parte, não muito, mas deve dar para estar num hostel ou pensão até estar legal (isto se o procedimento não durar mais de um mês ou dois).
Como está a vida na Irlanda? Como são os procedimentos para ser legal? Demora muito tempo? Neste momento, só Irlanda bate na minha cabeça, na impossibilidade de ir para algo mais distante e fora da Europa.
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2016.05.04 02:33 SkaylordRoadhog Encontro-me encurralado na vida e preciso de ajuda.

Boas pessoal. Normalmente costumo andar por aqui e pelo ask reddit entre outros subreddits apenas como visitante. Agora preciso de ajuda e então decidi dirigir-me a vocês. É o seguinte; eu sinceramente não faço a mínima ideia do que fazer da vida. Tenho 18 anos, tou no 12º ano e as minhas finanças estão cada vez pior. A saúde dos meus pais já não é a mesma e o meu pai simplesmente não soube gerir o dinheiro que ganhava quando era abundante. A minha irmã está a tirar um curso de medicina e este ano (último do curso) não teve direito a bolsa... provavelmente pelos meus pais, novamente devido ao meu pai terem problemas nas finanças. Estou em constante stress porque sei que a saúde deles já não é assim tanta e tenho medo de perdê-los e não ser capaz de lidar com isso. Além disso eu sou um inútil. Não sei cozinhar (nem a porcaria de uns ovos), nem a minha cama faço e nem sou capaz de conseguir comer tudo o que me metem no prato (fico cheio rapidamente e só como doces e fritos e cenas pouco saudáveis, as únicas cenas saudáveis que como é iogurtes, fruta, salada, sopa. Sou um chavalo completamente mimado, a minha mãe nunca me obrigou a comer as cenas e sim foi um erro dela, mas ela sofria muito nas mãos dos pais... tempos antigos, era obrigada a ir trabalhar com 10-12 anos cenas assim :/ e então quando nos teve não quis ser igual, quis mudar. Isto realmente me está a perturbar em especial porque eu quero emigrar (sim quero, como é possivel ne? nem uma cama sem fazer, nem cozinhar como vou sobreviver...), eu sempre quis emigrar, desde os meus 13 anos, ficava fascinado com as cenas que lia nas aulas de inglês e história e até geografia. Ao ínicio o meu sonho era ir para os EUA, mas mais tarde descobri que a terra da segunda oportunidade já não existia... Agora não sei ao certo, gostava de ir para um país em definitivo, pensei na holanda, dinamarca, suécia, noruega, irlanda, nova zelândia, austrália. Mas isso é algo ainda por definir. Primeiro preciso de tratar da parte mais importante. A educação. Pontos mais graves na minha situação: - Não sei o que gosto, tenho tendência a aborrecer-me quando as cenas são demasiado fáceis e ficar um pouco stressado quando não consigo resolver um problema (especialmente quando vejo outros a conseguirem); - Não tenho grande dinheiro no banco dá para 1-2 anos de universidade pública; - Estudar e trabalhar é uma possibilidade, mas empregos é complicado agora (anda tudo a ir para esses empregos tipo worten e fnacs assim que saiem do 12º) e não sei se tenho qualidade para tal (ensino secundário profissional, onde me encontro é bastante fácil e não sei se simplesmente aguento o nível de dificuldade do superior); - Não sei quais as profissões que vão estar em demanda e não me posso arriscar a ir para um curso que não tem grande coisa e perder anos de vida à toa. Não me posso dar ao luxo de reprovar ou perder anos, com as dificuldades financeiras isso é imperdoável... (isto deixa-me ainda mais stressado, só de pensar nessa possibilidade). - Tou num curso profissional de informática mas não gosto disto, não é para mim :/, só para saberem que algo relacionado com programação, análise de sistemas, redes está fora de questão (sei que peco muito aqui porque a procura deve ser muita); - Tenho matemática B que vale 0 ao pé da matemática A... por isso exames para isso tá quieto, fico-me pelo português. Aspetos positivos de mim: - Sei ouvir críticas desde que sejam construtivas e com fundamentos de suporte; - Gosto de trabalhar em equipa/comunicar com eles e com pessoas no geral desde que saibam ouvir e não falem por cima que nem animais à luta; - Quando me sinto confiante, sinto capaz de fazer tudo e mais alguma coisa, no entanto conheço os meus limites; - Tenho autonomia e quando não sei alguma coisa, se tiver pessoas por perto peço ajuda, caso contrário procuro na net, ou seja, não hesito em pedir ajuda; - Sei ouvir as pessoas e pelo menos isto sai da boca dos meus amigos, eles dizem que sou uma fonte confiável e sou um bom amigo. Eu já procurei bue cursos nas universidades públicas, mas aquilo é sempre os mesmos cursos em todas, as privadas podem até ter a qualidade que tem e falcatruas de notas, mas tem mais diversidade nos cursos... Algumas áreas que me dão algum interesse de ver em filmes e isso (sim podem até não ser NADA assim na vida real, só estou a dizer...): - Marketing (não sei muito bem o que é ainda, quando acabar os projetos que tenho que ainda são muitos vou pesquisar); - Relações públicas (igual ao marketing ainda não sei muito bem); - Publicidade; - Animação 3D e edits todos marados; - Sales representative (não sei o nome em português, não conheço muito também); Sou calado nas aulas e no geral também não falo assim tanto, mas eu gosto de me comunicar com as pessoas quando elas me dão o devido respeito, de ouvir atentamente ao que digo e depois obviamente que faço o mesmo. Eu não quero que vocês façam o meu trabalho de como me encontrar na vida, quero apenas um guia, estou mesmo sem ideias :(.
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